Brasil: meia década depois do golpe

Já se passaram 50 anos do golpe de estado que colocou o Brasil em um regime autoritário de 21 anos. O ciclo dos generais no poder, instaurado contra as reformas de base que estavam sendo pregadas pelo governo de João Goulart (Jango), desde 1962, foi de 1964 a 1985.

Os anos de 63 e 64 foram marcados por uma crescente radicalização e aquecimento político. O plano de governo anunciado por Jango, com apoio de movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda, incluía as reforma agrária, tributária, eleitoral e universitária
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A direita brasileira não admitia o processo de autonomia do povo e passou a se organizar por meio de entidades como o Instituto de Ação Democrática (IBAD), que tinha como proposta reagir ao projeto de Jango; e o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), criado por empresários e que tinha como objetivo formar dirigentes políticos para conter a expansão dos movimentos populares no Brasil.

O IPES contou com o patrocínio de 20 milhões de dólares do governo norte-americano, segundo revelou o ex-espião da CIA Philip Agee. O dinheiro foi usado em propaganda contra o governo e as reformas de base anunciados pelo presidente da República, que havia sido eleito e confirmado em plebiscito pela população.

Resistência
A intenção desta página especial sobre os 50 anos do golpe é a de contribuir com reflexões para o debate sobre os processos de dominação e de resistência. É tornar pública a opinião do SMetal de que o Brasil e os brasileiros foram brutalmente atingidos por um golpe de estado naquele período.

É trazer à tona imagens, estudos e fatos para que a verdade sobre o golpe e seus reflexos negativos sobre a cidadania brasileira - que perduram até hoje - seja restaurada e que a justiça seja feita.

Já que o Estado, por meio de um golpe promoveu torturas, cassações de direitos civis e políticos, perseguiu e assassinou pessoas com um ideal coletivo de uma sociedade mais democrática e os torturadores continuam impunes em nossa sociedade.

De acordo com o historiador Daniel Aarão Reis Filho, em "Imagens da Revolução", houve cerca de 40 organizações revolucionárias durante o período da ditadura no Brasil, para enfrentamento às arbitrariedades e lutando pelas liberdades democráticas.

Nessa página especial trazemos um apanhado de reportagens, artigos, bibliografia e imagens sobre esse período que faz parte de um passado recente e que repercute em nossos dias.

Hoje, temos a vivência democrática, mas ela não nos foi dada, mas sim conquistada, com muita luta e muito sangue derramado por jovens e adultos que deram suas vidas por uma causa, a de um país melhor.

 
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