Comissão da Verdade vai ouvir quatro pessoas segunda-feira, dia 4

Terça-feira, 29 de Julho de 2014 - Última alteração em 29/07/2014 às 00:00
fonte:  Imprensa Câmara de Sorocaba
Foguinho/Imprensa SMetal
A comissão é presidida pelo vereador Izídio de Brito (PT)
A comissão é presidida pelo vereador Izídio de Brito (PT)
Ampliar
A comissão é presidida pelo vereador Izídio de Brito (PT)
A comissão é presidida pelo vereador Izídio de Brito (PT)

A Comissão Municipal da Verdade "Alexandre Vannucchi Leme" realiza nova oitiva no próximo dia 4 de agosto (segunda-feira), às 9h, na Câmara de Sorocaba. Na oportunidade, Theodoro Mendes, ex-prefeito municipal pelo MDB; Wadad Nerhj Farah, a Odete, comerciante sorocabana; Plácido Mazon Filho, filho de Plácido Mazon - sindicalista (construção civil); e Renato Dias Batista, jornalista, serão os depoentes.

Theodoro Mendes foi prefeito de Sorocaba pelo MDB, entre 1977 e 1983, durante a ditadura militar. Wadad Nerhj Farah, mais conhecida como Odete, foi uma comerciante presa junto de seu marido, quando estava grávida, por desconfiarem que em seu comércio, na rua Coronel Benedito Pires, havia encontros subversivos.

Além deles, a comissão ainda ouvirá Plácido Mazon Filho, filho de Plácido Mazon, sindicalista (construção civil), preso quatro dias depois do golpe, em Sorocaba; e Renato Dias Batista, jornalista e irmão do sorocabano Marco Antônio Dias Batista.

Marco Antônio, inclusive, foi preso com 16 anos de idade, sendo o preso político mais jovem do Brasil. Seu corpo não foi encontrado até hoje. Junto de Renato, militou na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma organização de extrema-esquerda criada em 1966, que lutou contra o regime militar.

O debate é aberto ao público em geral, transmitido ao vivo pela TV Legislativa (Canal 6 da NET) e pelo site da Câmara Municipal (camarasorocaba.sp.gov.br).

Oitivas

A primeira oitiva, que foi realizada em 26 de maio, contou com a presença do professor Aldo Vannucchi, tio de Alexandre Vannucchi Leme; do ex-militante Osvaldo Noce; e do ex-líder sindical Francisco Gomes, o Chico Gomes.

A segunda, que ocorreu em 2 de junho, ouviu depoimentos do jornalista e historiador Geraldo Bonadio e do professor de história Miguel Trujillo.

A terceira oitiva foi composta pelo professor da Universidade de Sorocaba (Uniso) e jornalista, Julio Cesar Gonçalves; do advogado Geremias de Camargo; e do narrador esportivo Antonio Antonelli.

O quarto depoimento aconteceu em 14 de julho e contou com a presença do deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comissão Estadual da Verdade; Armando Oliveira Lima, filósofo, ativista cultural e presidente do Gabinete de Leitura de Sorocaba, durante o regime militar; e Roberto Gil Camargo, diretor teatral, professor e sofreu censura em suas peças.

Esta fase de colher depoimentos, que estão sendo realizados na Casa de Leis, servirá para ser gravado, arquivado e compor o relatório final, que será enviado à Comissão Nacional da Verdade, em novembro deste ano. Os resultados também estarão disponíveis para instituições interessadas na história da região durante o regime militar.

A agenda de trabalho da Comissão da Verdade é desenvolvida conforme a disponibilidade de cada personagem, que é convidado a depor na Câmara. A comissão é composta pelos parlamentares Izídio de Brito (PT) como presidente, Anselmo Rolim Neto (PP) como relator, e demais membros Saulo do Afro Arts (PRP) e Neusa Maldonado (PSDB).

Comissão da Verdade: iniciativa popular

A ideia de se criar a Comissão Municipal da Verdade surgiu em virtude da passagem do psicanalista e professor de filosofia Daniel Lopes pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (MJ), oportunidade em que ele pôde conhecer os acontecimentos daquele período, bem como a importância do resgate histórico de um período sufocado e a defesa dos direitos humanos.

Com isso, Lopes levou esta discussão à população sorocabana, municiado de um documento com uma série de elementos embasados para que fosse implantada essa comissão na Câmara de Sorocaba. Na primeira reunião, com pessoas ligadas a movimentos sociais, o documento recebeu alterações pontuais e, posteriormente, foi entregue ao presidente da Casa de Leis, vereador Gervino Gonçalves, o Cláudio do Sorocaba 1 (PR).

Comentários

Voltar