Estruturas Econômico-políticas da Ditadura

Esta edição da Re-vista tem o objetivo de não somente expor um aspecto do vasto debate sobre o que foi a Ditadura, a verdade sobre o que ocorreu e, com isso, a disputa pela memória sobre aquele período
Sexta-feira, 28 de Março de 2014
por  Re-vista
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Estruturas Econômico-políticas da Ditadura
Estruturas Econômico-políticas da Ditadura

Esta edição da Re-vista tem o objetivo de não somente expor um aspecto do vasto debate sobre o que foi a Ditadura, a verdade sobre o que ocorreu e, com isso, a disputa pela memória sobre aquele período. Para além disso, ela pretende chamar atenção e aprofundar a reflexão sobre um aspecto fundamental: o significado político, econômico e social do regime político ditatorial, implantado com um golpe em 1964, para a história e a formação social brasileira.

Isto implica jogar luz sobre as causas que levaram segmentos da elite brasileira e segmentos de alta patente militar, com apoio de frações das classes médias, a golpear o governo legalmente eleito e em vigência. E, com isso, compreender melhor as transformações mais estruturais que o Estado, as empresas, os bancos, os meios de comunicação, a exploração do trabalho - entre outros - sofreram ao longo dos anos da ditadura. Quer dizer, mudanças que transformaram a vida da população brasileira e que, como esclarecem os convidados dessa edição - o Prof. Daniel Aarão Reis, o Prof. Demian Melo e o Prof. Ricardo Antunes - não foram por acaso.

Para o atual processo de atuação da Comissão Nacional da Verdade, em que informações sobre o funcionamento de uma estrutura repressiva da ditadura - com centros clandestinos de tortura, como a Casa da Morte de Petrópolis, a ainda não localizada Casa de São Conrado, no Rio de Janeiro, e ainda o Estádio Caio Martins, em Niterói - têm tido mais difusão; em que novos documentos e informações têm sido levantados sobre prisões e desaparecimentos, sobre a dizimação, a opressão e exploração de indígenas pela forças do Estado; em que a destinação dos prédios e dos espaços públicos da cidade tem sido questionadas em um contexto de disputa da memória que se atribui à cidade; ressaltar e enriquecer a reflexão sobre a causa motriz, os objetivos político-econômicos, seus idealizadores e apoiadores é fundamental.

As contribuições dos diferentes colaboradores desta segunda edição da Re-vista, com diferenças e discordâncias, trazem algo de comum: a ditadura brasileira não foi um projeto de puro autoritarismo ou fascismo de militares. A ditadura brasileira foi a implantação, por meio de um golpe, de um projeto de sociedade, com o desenvolvimento e aprofundamento do capitalismo no Brasil.

Essa dimensão que, em verdade, é o aspecto fundamental do golpe e que, posteriormente, é também o motivo de fundo da repressão e aniquilamento das forças de resistência, por meio da tortura, execução e desaparecimento, não pode deixar de estar presente no centro do debate sobre verdade, memória e justiça a que o atual governo, a CNV e os movimentos e atores da sociedade civil se dedicam hoje. Discutir e esclarecer violações de direitos, de uma perspectiva realmente crítica ao que se viveu a partir do golpe de 1964 e a relação desse período de transformação com as mazelas estruturais e as violações de direitos do presente, não pode prescindir desse debate.

É no sentido desta reflexão que se elaborou a presente edição sobre as Estruturas Econômico-políticas da Ditadura.

 

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